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Dor no joelho ao subir escadas: por que esse movimento incomoda tanto?

No chão plano, o joelho parece funcionar normalmente. Basta chegar ao primeiro lance de escadas para a dor aparecer. Em algumas pessoas, o incômodo surge na subida. Em outras, descer é ainda mais difícil.

Essa diferença acontece porque subir e descer degraus exige mais controle dos músculos e aumenta a pressão entre a patela, popularmente chamada de rótula, e o fêmur.

A dor nessa situação não significa automaticamente que o joelho esteja “desgastado”. Fraqueza muscular, aumento repentino dos exercícios, alterações no controle do movimento e diferentes problemas articulares podem provocar o mesmo sintoma.

O local da dor, a forma como ela começou e os movimentos que a pioram ajudam a descobrir o que existe por trás de cada degrau.

O que muda no joelho quando subimos uma escada?

O joelho não realiza esse movimento sozinho. Quadril, coxa, tornozelo e pé trabalham em conjunto para elevar e estabilizar o corpo.

À medida que o joelho se dobra, a patela desliza por uma espécie de canal localizado na parte inferior do fêmur. Os músculos da coxa e do quadril ajudam a controlar esse percurso.

Nas escadas, o joelho permanece mais flexionado e precisa produzir força para sustentar e deslocar o corpo. Isso aumenta a exigência sobre a articulação entre a patela e o fêmur, chamada articulação femoropatelar.

Quando essa região está sensível ou quando os músculos ainda não estão preparados para a carga, pode aparecer dor na frente ou ao redor do joelho.

A dor na frente do joelho tem um nome?

Uma das causas mais comuns é a dor femoropatelar, um termo utilizado para descrever o incômodo sentido ao redor ou atrás da patela.

Ela pode surgir gradualmente, sem uma lesão específica, e costuma piorar em atividades que exigem flexões repetidas do joelho, como:

  • subir ou descer escadas;
  • agachar;
  • correr;
  • saltar;
  • ajoelhar;
  • levantar de uma cadeira;
  • permanecer muito tempo sentado com o joelho dobrado.

A dor femoropatelar também é chamada popularmente de “joelho de corredor”, mas não afeta apenas atletas. Pessoas sedentárias, adolescentes, trabalhadores que realizam movimentos repetitivos e adultos que aumentam repentinamente sua atividade também podem apresentar o problema.

Dor femoropatelar e condromalácia são a mesma coisa?

Os termos são frequentemente usados como se fossem sinônimos, mas não representam exatamente a mesma situação.

A dor femoropatelar descreve um conjunto de sintomas na região anterior do joelho. Já a condromalácia patelar está relacionada a alterações na cartilagem localizada na parte posterior da patela.

Uma pessoa pode ter dor femoropatelar sem apresentar uma lesão relevante na cartilagem. Da mesma forma, alterações na cartilagem podem aparecer em exames sem serem a principal causa da dor.

Por isso, não é possível diagnosticar condromalácia apenas porque o joelho dói ao subir escadas ou produz estalos.

O barulho significa que o joelho está se desgastando?

Nem sempre.

Estalos, cliques e uma sensação de atrito, conhecida como crepitação, são comuns durante os movimentos do joelho. Esses sons podem ocorrer até mesmo em pessoas sem dor ou lesão.

Quando o barulho aparece sozinho, sem inchaço, bloqueio ou desconforto, ele geralmente não indica um problema grave.

A avaliação se torna mais importante quando os estalos vêm acompanhados de:

  • dor persistente;
  • inchaço;
  • sensação de travamento;
  • dificuldade para dobrar ou esticar;
  • perda de força;
  • sensação de que o joelho vai falhar.

O som isolado diz pouco. Os sintomas que o acompanham contam uma história mais relevante.

Por que a dor pode começar depois de aumentar os exercícios?

Tecidos e músculos precisam de tempo para se adaptar às cargas.

Começar a correr, aumentar rapidamente as distâncias, acrescentar muitos agachamentos ou retornar ao esporte após um período parado pode exigir mais do que o joelho está preparado para suportar naquele momento.

A dor também pode surgir depois de uma mudança aparentemente simples, como:

  • treinar mais dias por semana;
  • aumentar a intensidade;
  • começar a correr em subidas;
  • mudar de calçado;
  • trocar a superfície do treino;
  • acrescentar saltos ou exercícios profundos;
  • reduzir bruscamente o nível de atividade e perder condicionamento.

Isso não significa necessariamente que a atividade seja prejudicial. Muitas vezes, o problema está na velocidade da mudança, e não no movimento em si.

A fraqueza do quadril pode afetar o joelho?

Sim. O joelho faz parte de uma cadeia de movimentos.

Os músculos do quadril e da coxa ajudam a controlar a posição do fêmur, da patela e do joelho durante ações como caminhar, correr, agachar e subir degraus.

Quando há redução de força ou dificuldade de controle, o membro pode se posicionar de maneira menos eficiente. Isso modifica a distribuição das cargas e pode contribuir para a sensibilidade femoropatelar.

Por esse motivo, a reabilitação frequentemente não se limita ao local da dor. Exercícios para quadril, coxa, tronco e controle do movimento podem fazer parte do tratamento.

Outras condições também causam dor nas escadas?

Sim. Dor no joelho ao subir ou descer escadas não é um diagnóstico.

Além da dor femoropatelar, o sintoma pode estar relacionado a:

  • tendinopatias;
  • osteoartrite;
  • lesões do menisco;
  • inflamação de bursas;
  • lesões ligamentares;
  • instabilidade da patela;
  • sequelas de traumas;
  • problemas no quadril ou tornozelo que modificam o movimento.

A idade, o local da dor e a maneira como o problema começou ajudam a diferenciar essas possibilidades.

Dor após uma torção, acompanhada de inchaço e travamento, tem um significado diferente de um incômodo que apareceu gradualmente após aumentar os treinos.

A localização da dor oferece alguma pista?

Ela pode orientar a investigação, mas não confirma a causa.

Dor ao redor ou atrás da patela é frequentemente associada à articulação femoropatelar. Dor localizada abaixo da patela pode estar relacionada ao tendão patelar.

O incômodo na parte interna ou externa do joelho pode envolver meniscos, ligamentos, tendões ou outras estruturas. Já a dor na região posterior possui causas diferentes e precisa ser avaliada dentro do contexto.

Também é importante observar se existe inchaço, rigidez pela manhã, travamento, sensação de instabilidade ou dificuldade para apoiar o peso.

É necessário fazer ressonância magnética?

Nem sempre.

Muitos casos de dor femoropatelar podem ser identificados pela história e pelo exame físico. O ortopedista avalia a mobilidade, a força, a estabilidade, o alinhamento e a forma como o paciente caminha, agacha ou sobe um degrau.

A radiografia pode ser solicitada para observar os ossos e o posicionamento da articulação ou investigar outras causas.

A ressonância magnética costuma ser reservada para situações em que há dúvida diagnóstica, suspeita de lesão específica ou ausência de melhora após o tratamento inicial.

Um achado no exame não deve ser interpretado isoladamente. Alterações de cartilagem e menisco podem existir sem serem responsáveis pelos sintomas.

Parar completamente de se movimentar resolve?

O repouso pode diminuir o desconforto temporariamente, mas não corrige fatores como perda de força, redução do condicionamento ou dificuldade no controle do movimento.

Em muitos casos, a estratégia envolve reduzir por um período as atividades que agravam a dor e substituí-las por opções mais toleráveis. Bicicleta com ajuste adequado, exercícios na água ou outras modalidades de menor impacto podem ser consideradas conforme a avaliação profissional.

O retorno deve ser progressivo. Insistir em uma atividade que provoca dor intensa pode piorar os sintomas, mas evitar todo movimento por tempo prolongado também pode dificultar a recuperação.

Encontrar o nível de carga adequado é uma parte importante do tratamento.

Como é o tratamento?

O plano depende da causa da dor. Nos casos de dor femoropatelar, o tratamento costuma ser não cirúrgico e pode incluir:

  • adaptação temporária das atividades;
  • exercícios para quadril e coxa;
  • fortalecimento do quadríceps;
  • melhora da mobilidade e da flexibilidade;
  • treinamento do controle dos movimentos;
  • correção gradual da técnica esportiva;
  • fisioterapia;
  • avaliação do calçado;
  • medicamentos, quando indicados pelo médico.

Palmilhas ou bandagens podem ajudar pacientes selecionados, mas não substituem o fortalecimento e a progressão adequada das atividades.

Não existe um único exercício que funcione para todos. A escolha depende dos movimentos que provocam dor, do condicionamento e dos objetivos de cada pessoa.

A cirurgia é raramente necessária para dor femoropatelar isolada e costuma ser considerada apenas em situações específicas que não respondem ao tratamento adequado.

Quando procurar um ortopedista?

Marque uma avaliação se a dor:

  • persiste por várias semanas;
  • está piorando;
  • limita caminhadas ou atividades diárias;
  • reaparece sempre que você retoma os exercícios;
  • vem acompanhada de inchaço;
  • dificulta dobrar ou esticar o joelho;
  • provoca sensação frequente de falha;
  • começou após uma torção ou queda.

Procure atendimento mais rapidamente quando houver deformidade, incapacidade de apoiar o peso, inchaço importante após trauma, travamento completo ou um joelho muito quente e avermelhado, principalmente quando acompanhado de febre.

O degrau não é o problema inteiro

As escadas apenas tornam mais evidente uma exigência que o joelho já estava tendo dificuldade para suportar.

A dor pode estar relacionada ao aumento brusco das atividades, à perda de força ou a uma condição articular que precisa ser investigada. Continuar ignorando o sintoma ou abandonar todo movimento raramente oferece uma solução duradoura.

Se o primeiro lance de escadas já faz você mudar o jeito de pisar, apoiar-se no corrimão ou evitar determinados caminhos, procure um ortopedista. Entender por que aquele movimento dói é o primeiro passo para recuperar a confiança em cada degrau.